Rebecca Aletheia, compartilha o que fazer em Cuiabá, são 9 lugares de história regional, negra e indigena para conhecer.
Quando pensamos em Mato Grosso, logo lembramos do Pantanal e da Chapada dos Guimarães. Mas e Cuiabá? A capital mato-grossense tem muito mais para oferecer do que imaginamos!
Durante minha passagem pela cidade, descobri lugares interessantes, histórias que merecem ser contadas e espaços culturais que despertaram minha curiosidade. Por isso, se você procura o que fazer em Cuiabá, reuni nove lugares para incluir no roteiro, entre museus, natureza e patrimônios históricos.
Além disso, não poderia deixar de falar sobre a presença negra, a cultura indígena e a ancestralidade que atravessam a história da região.
Ah, e teve um museu que me surpreendeu de verdade! Mas vou deixar meu favorito para o final. Será que você já conhece?
1. Parque Mãe Bonifácia: natureza e resistência negra
Em meio à movimentação de Cuiabá, encontramos o Parque Estadual Mãe Bonifácia, com cerca de 77 hectares de cerrado preservado, trilhas e espaços para caminhadas. Entretanto, o que torna esse lugar ainda mais especial é a história por trás do seu nome!
Mãe Bonifácia foi uma mulher negra que viveu no século XIX e, segundo relatos e tradições locais, acolhia pessoas escravizadas em fuga, oferecendo alimentos, abrigo e cuidados com plantas medicinais.
Sua história também é cercada de lendas. Diziam que ela conseguia desaparecer na mata para despistar perseguidores e proteger quem buscava liberdade.
Assim, o parque não é apenas um espaço de lazer. Também carrega a memória de uma mulher negra associada à resistência e ao acolhimento.
Minha consideração: conhecer a história de Mãe Bonifácia dá outro significado a esse espaço. Afinal, a memória negra também está presente nos nomes e nas histórias dos lugares que visitamos.
Endereço: Avenida Miguel Sutil, Duque de Caxias, Cuiabá.
Entrada: gratuita.
Horário: diariamente, das 5h às 19h, conforme informações divulgadas.
Atenção: o parque possui um mirante, mas ele pode estar fechado para visitação. Portanto, confirme as condições de acesso antes de ir.
2. Museu do Morro da Caixa D’Água Velha: história e exposições

Uma caixa-d’água que virou museu? Pois é, Cuiabá tem!
O antigo reservatório do século XIX hoje abriga um espaço cultural com exposições e registros relacionados à memória da cidade.
Além disso, o próprio edifício já é uma curiosidade. Gosto dessas transformações que permitem dar novos usos aos patrimônios históricos.

Minha consideração: acho interessante quando um lugar que já teve uma função tão diferente passa a contar histórias da cidade. Por isso, vale combinar a visita com outros atrativos do centro.
Endereço: Rua Comandante Costa, esquina com Rua Nossa Senhora de Santana, Centro-Sul, Cuiabá.
Entrada: valor não confirmado. Consulte o museu.
Horário: cadastro indica funcionamento das 8h às 17h. Confirme antes de visitar.
3. Centro Geodésico da América do Sul: uma parada curiosa

Você sabia que Cuiabá é historicamente conhecida como o Centro Geodésico da América do Sul?
A cidade possui um marco que representa essa identificação geográfica. Embora os estudos atuais utilizem outras formas de determinar o centro do continente, o monumento continua sendo um símbolo cuiabano.
Minha consideração: gosto dessas curiosidades que encontramos durante as viagens. Além disso, é uma parada rápida que pode ser incluída em um passeio pelo centro.
Endereço: Praça Pascoal Moreira Cabral, Centro, Cuiabá.
Entrada: gratuita para observar o marco em espaço público.
4. Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito: ancestralidade negra

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é um dos lugares importantes para conhecer a presença negra na história de Cuiabá.
O templo está ligado à religiosidade e às manifestações culturais da população negra. Além disso, a tradicional Festa de São Benedito reúne fé, cultura e tradições cuiabanas.
Gosto de conhecer esses espaços porque a história negra também está nas igrejas, nas festas e nas expressões culturais que atravessam gerações.
Minha consideração: mais do que observar a arquitetura, vale conhecer as histórias das pessoas e das manifestações culturais relacionadas a esse patrimônio. Mesmo quando a visita interna não é possível, sua importância histórica permanece.
Endereço: Praça do Rosário, 1, Baú, Cuiabá.
Entrada: a visita religiosa normalmente é gratuita. Entretanto, confirme as condições de acesso com a paróquia.
5. Museu do Rio Hid Alfredo Scaff: Cuiabá e suas águas
Conhecer uma cidade também é entender sua relação com os rios!
O Museu do Rio funciona no antigo Mercado do Peixe, um prédio histórico que guarda parte da memória dos pescadores, comerciantes e moradores da região do Porto.
Afinal, o Rio Cuiabá não faz parte apenas da paisagem. Ele também está ligado ao trabalho, à alimentação, ao transporte e à vida de muitas famílias.
Minha consideração: gosto de lugares que ajudam a compreender como as cidades foram se formando. Nesse caso, a relação com o rio revela muito sobre o cotidiano e a história de Cuiabá.
Endereço: Avenida Beira Rio, s/n, Porto, Cuiabá.
Entrada: gratuita, segundo o cadastro do museu.
Atenção: confirme se as salas de exposição estão abertas antes de visitar.
6. Museu de Imagem e Som de Cuiabá (MISC): memórias em imagens
Adoro a ideia de conhecer uma cidade por meio de fotografias, músicas e registros audiovisuais!
O Museu de Imagem e Som de Cuiabá, conhecido como MISC, preserva parte dessa memória cultural. Seu acervo reúne fotografias, objetos históricos e registros musicais que contam histórias da capital mato-grossense.
Além disso, o espaço valoriza manifestações culturais locais, como o rasqueado cuiabano.
Minha consideração: a fotografia e a música são maneiras potentes de preservar memórias. Por isso, considero o MISC uma sugestão interessante para quem gosta de descobrir histórias por diferentes linguagens.
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 79, Centro, Cuiabá.
Entrada: gratuita.
Horário: segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h, conforme informações divulgadas.
7. Museu Residência dos Governadores: um olhar sobre a política
Já imaginou conhecer um espaço que fez parte da vida oficial dos governadores de Mato Grosso?
O Museu Residência dos Governadores preserva parte dessa memória política e institucional. Construído entre 1939 e 1941, o casarão foi residência oficial de 14 governantes e suas famílias.
Entretanto, conhecer um lugar como esse também desperta outras perguntas: quem ocupava os espaços de poder? Quem trabalhava neles? E como as decisões tomadas ali influenciavam a população?
Minha consideração: gosto de pensar que visitar patrimônios históricos também é uma oportunidade de olhar criticamente para a história. Afinal, toda cidade tem muitas narrativas para contar.
Endereço: Rua Barão de Melgaço, 3565, Centro Norte, Cuiabá.
Entrada: gratuita, segundo cadastro do museu.
Horário: das 9h às 17h, conforme informação divulgada. Confirme os dias de atendimento.
8. Museu de Arte Sacra: um patrimônio com visitação suspensa

O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso também merece ser lembrado quando falamos do patrimônio cultural de Cuiabá.
Instalado no antigo Seminário Nossa Senhora da Conceição, o espaço reúne uma história ligada à religiosidade e à formação da cidade.
Mesmo não sendo religiosa, gosto de conhecer espaços que ajudam a compreender a relação entre fé, cultura e sociedade.
Minha consideração: a história de uma cidade também passa pelas instituições religiosas e seus patrimônios. Entretanto, é importante saber que nem todos esses espaços estão disponíveis para visitação.
As visitas ao museu foram suspensas em agosto de 2025. Portanto, não inclua a entrada no seu planejamento sem confirmar uma eventual reabertura.
Endereço: Rua Clóvis Hugueney, 239, Dom Aquino, Cuiabá.
Entrada: indisponível enquanto a visitação estiver suspensa.
Informações: Instagram do Museu de Arte Sacra.
9. Museu de História Natural de Mato Grosso: e o meu favorito é…

Chegamos ao último lugar do roteiro! E agora posso contar qual foi a minha descoberta favorita em Cuiabá.
Que surpresa maravilhosa foi conhecer o Museu de História Natural de Mato Grosso!
Fiquei encantada com o espaço. É lindo, acolhedor, bem cuidado e tem uma atmosfera que dá vontade de permanecer por horas.
E tem dinossauro! Além dos fósseis e das exposições de arqueologia e paleontologia, o museu apresenta conhecimentos sobre a história natural da região.
Outra coisa que me chamou a atenção foi a valorização dos povos indígenas. Nesse museu encontra peças/objetos sagrados dos povos Wará do Alto Xingu.O acervo reúne objetos e referências às culturas indígenas de Mato Grosso. Assim, a visita também se transforma em uma oportunidade de conhecer mais sobre os povos e a história do território.
Mas não para por aí! Aos finais de semana, o espaço pode receber feirinhas com diferentes produtos e programação musical. Inclusive, fiquei encantada com o ambiente!
Minha consideração: para mim, esse museu foi uma das melhores surpresas da viagem. É um lugar para aprender, passear e aproveitar o dia. Achei incrível para levar crianças, mas, mesmo sem elas, vale muito a visita!
Endereço: Avenida Manoel José de Arruda, 2000, Jardim Europa, Cuiabá.
Entrada: R$ 12 inteira e R$ 6 meia. Gratuita aos domingos e feriados, conforme a programação divulgada.
Horário: quarta a domingo, das 8h às 18h, conforme horário informado.
Afroturismo em Cuiabá: outras histórias para conhecer
E já que estamos falando de história e ancestralidade, você sabia que Cuiabá também tem iniciativas de afroturismo?
A Rota da Ancestralidade propõe caminhadas pelo Centro Histórico com histórias, música e memórias da população negra.
Já a Casa das Pretas, do IMUNE-MT, na Praça da Mandioca, é um espaço de valorização da cultura afro-brasileira e das religiões de matriz africana.
Além disso, a Afrotours desenvolve experiências relacionadas à memória negra e a territórios quilombolas de Mato Grosso.
Outro lugar que merece ser lembrado é o Parque Mãe Bonifácia. Afinal, sua história mostra que a resistência negra também está presente na memória dos espaços naturais da cidade.
Portanto, vale conhecer e valorizar essas iniciativas. São outras possibilidades de descobrir Cuiabá a partir de histórias que nem sempre aparecem nos roteiros turísticos tradicionais.
Afinal, vale a pena conhecer Cuiabá?

Eu gostei de descobrir esses outros lados de Cuiabá!
A cidade tem museus, cultura, natureza, patrimônios históricos e muitas possibilidades para quem gosta de viajar com curiosidade.
Além disso, conhecer a história negra e a presença indígena na região amplia nosso olhar sobre o território.
E se você chegou até aqui, já sabe qual foi o lugar que mais me encantou: o Museu de História Natural! Definitivamente, uma surpresa que eu não esperava encontrar.
Por isso, antes de seguir para o Pantanal ou para a Chapada dos Guimarães, reserve um tempo para conhecer a capital.
Na Bitonga Travel, acreditamos que viajar também é conhecer histórias, valorizar culturas e descobrir outras maneiras de olhar para os territórios.
E você, já conhece Cuiabá? Tem algum lugar que acrescentaria ao meu roteiro?